por Sushi
Opa! eae, essa é uma história feita por mim que vai ser continuada em breve, espero que goste e boa leitura
Eu ainda me lembro do dia em que me mudei pra uma cidade porque meus pais acharam interessante a ideia do meu vô cuidar de mim. Eu tinha 15 anos naquela época... Vou ser honesto: eu ODIEI ter que ficar 3 anos inteiros naquela cidade, principalmente com aquele velho rabugento por perto, que provavelmente iria me julgar pelo meu jeito de me vestir. Mas como eu era um adolescente e não tinha como me defender, eu só aceitei. E obviamente, eu iria visitar meus pais durante esse tempo.
Lembro de estar de cara fechada a viagem toda pra essa cidade onde meu vô morava. Eu lembro que era uma cidade média em população, acho que tinha uns 60 mil moradores em média. Sabendo disso, fiquei um pouco animado, pois não ia ficar exatamente parado encarando a tinta da parede secar.
Quando chegamos na cidade, vi que tinha um museu ENORME e, vou ser honesto, eu ADORO história. Isso não condizia nada com minha aparência rebelde, mas só de pensar sobre mitologia, contos de guerras, revoluções, evolução tecnológica, histórias religiosas e muitos outros temas, eu já ficava MUITO animado. Sim, eu gostava muito de aprender sobre a história da humanidade, então ver aquele museu me deixou empolgado.
No caminho pra casa do vô, vi a escola onde eu ia passar esse tempo todo na cidade. Era uma escola grandinha até, particular, afinal de contas. Aparentemente, meus pais tinham ganhado um sorteio pra me matricular nessa escola de graça, então foi só lucro pra eles.
Finalmente, em casa, fiquei surpreso que meu vô, que eu pensava ser rabugento, na verdade era um ser dócil e gentil. Foi meio que um choque pra mim, porque eu tinha uma visão totalmente distorcida sobre ele. Vou ser honesto, achei que depois que meus pais partissem ele ia virar o homem cuzão que eu imaginava, mas não foi o que aconteceu.
Voltando pra quando cheguei na casa: meus pais iam ficar alguns dias, porque seria falta de educação só chegar, me largar e vazar. Minha mãe queria ver como estava a cidade onde nasceu e viveu a infância. Não julgo ela, eu faria o mesmo.
Meu vô falou pra eu ir dar uma volta por aí e conhecer a vizinhança. Então peguei meu skate e fui explorar, mas sem ir muito longe, porque tinha medo de me perder.
Logo na esquina, vi 3 pessoas na frente de uma casa: uma segurava uma espada de bambu, um usava óculos e o outro, jaqueta de couro — nota: tava um calor do caramba no dia. Aparentemente, dois deles estavam jogando um jogo com uns monstrinhos nas cartas. Fiquei com o pé atrás, mas fui falar com eles.
— Eae — eu disse. Os três me encararam, até que os dois meninos responderam com um “bom dia”. A que estava com a espada se levantou e respondeu: — Eae, bom dia. Novo por aqui?
Fiquei surpreso por me identificarem tão rápido, então respondi: — Em cheio. Como você sabia?
— Vi o que pareciam ser seus pais tirando as malas do carro — respondeu ela.
Fiquei todo bobo, sem saber o que responder. Então perguntei o que eles estavam jogando, e ela falou: — Se você conseguir entender alguma coisa, me fala, porque eu tô encarando eles jogando faz 30 minutos e não entendi bulhufas nenhuma.
Aí o de jaqueta apontou pra ela e falou: — Burra.
Não lembro exatamente o que aconteceu com ele — se levou um cascudo ou um chute na costela — mas, olhando hoje em dia, ele definitivamente mereceu.
Fiquei conversando com eles até perto do meio-dia. Descobri que a menina da espada se chamava Roxse Land (nomezinho estranho, né? Mas não julgo, me chamo LOVARI), o de jaqueta de couro se chamava Eric Coda, e o de óculos, Marco Uns. Eles falaram que iam almoçar e voltar só à tarde. Aparentemente, não tinha aula naquele dia por motivos desconhecidos, então voltariam. A Rox (apelido dela) perguntou se eu queria almoçar com eles. Eu decidi recusar, pois não havia avisado meus pais ainda e não ia cair bem já almoçar na casa de pessoas que acabei de conhecer. Eles entenderam meus motivos e voltaram, mas falaram pra eu voltar no mesmo lugar às 3 da tarde.
Voltei pra casa feliz, pois não é todo dia que faço amizades. Chegando em casa e almoçando, meu pai fala sobre a escola e que eu ia começar na semana seguinte. Sem escolha nesse ponto, só falei “ok” e continuei meu almoço.
Às 2:30 da tarde, Rox chegou no ponto de encontro gritando: — EIII EU SOU QUEM CHEGA PRIMEIRO!
Eu comecei a rir, e ela também. A gente ficou papeando até os outros chegarem. Lembro de ter mencionado que gostaria de visitar o museu, e todos falaram “por que não?”. Pegamos nossas coisas e partimos.
Não era exatamente longe, mas lembro da gente andar bastante. Chegando lá, compramos os tickets e entramos. Me lembro de estar bem vazio — faz sentido, era sexta-feira às 3 da tarde. Eu tava surpreso que estava aberto. Rox mencionou que nunca tinha ido ao museu e queria MUITO ver o planetário que tinha lá, já que era fanática por planetas. Eric chegou do meu lado e falou: — Eu pensava que ela acreditava que a Terra era plana.
Ele falou num tom de piada, e foi o suficiente pra fazer o Marco — um cara que eu considero sério — rir.
Chegando lá, infelizmente não tinha nenhum funcionário. Eu quis bancar o fodão e fui procurar algum dispositivo pra ligar o planetário. Achei uma alavanca meio distorcida e estranha na parede. Pensei: talvez pelo design diferente, seja a alavanca pra ligar o planetário.
— Acho que achei!! Vou puxar a alavanca agora.
Mal sabia eu que foi um dos piores erros... No momento que puxei a alavanca, vi tudo preto. Senti uma dor enorme nas costas e nos olhos. Eu gritei de dor. Escutei alguém vomitando do outro lado, mas não conseguia ver nada. Não era preto o que eu via — era o simples nada. Não consigo explicar direito como foi essa sensação, mas foi... horrível.
Então escuto Marco chorando e Eric gritando: — ONDE VOCÊS FORAM, POR QUE TÁ TUDO ESCURO???
De repente, pude ver tudo novamente. Ainda com a visão borrada, vi Rox vomitando no chão e Marco tentando se levantar. Eric foi o único que não teve nada sério. A gente não entendeu nada e tentamos socorrer Rox, que não parava de gritar de dor...
Um tempo passou enquanto a gente tentava se acalmar. Começamos a analisar o ambiente ao redor: era um lugar meio escuro, com estátuas dos grandes pensadores, como Sócrates e Platão, mas suas esculturas estavam com os rostos partidos. Percebi que tudo do museu havia mudado. Na verdade, a gente não estava mais no museu, mas em algum tipo de saguão principal de... algo. Obviamente entramos em desespero, até que Marco percebeu que as estátuas estavam virando as cabeças e olhando pra gente.
A partir daí, foi ladeira abaixo. A gente se questionando por que estava ali, o desespero ecoando no saguão... até que lembraram que tudo aconteceu depois que eu puxei a alavanca.
— CARA, QUE MERDA QUE VOCÊ METEU A GENTE — gritou Eric. — EU JURO QUE NÃO SABIA QUE ISSO IA ACONTECER — respondi no mesmo tom. — A gente já tá aqui... que se dane. Podem se matar aí, mas eu vou achar uma maneira de sair daqui — disse Marco do outro lado da sala.
Eu concordo que foi culpa do Lovari, mas de certa forma... ele não sabia que isso ia acontecer.
Lembro de ver Marco tentando manter a postura, mas ele era o que mais estava se tremendo. Enquanto isso, Rox estava no banco ao meu lado, encolhida, chorando e falando “por que isso tá acontecendo?” repetidamente. Me sentei ao lado dela pra tentar acalmar e ela me abraçou, chorando.
Eu não sabia mais o que tava acontecendo. Ficamos no saguão por, eu diria, uma hora. Rox já tinha se acalmado e a sala estava silenciosa. Até que criei coragem pra ir mais a fundo no saguão. Percebi que eles queriam me parar, mas todos hesitaram.
Por causa da luz baixa, não conseguia ver muita coisa. Mas havia uma saída bem debaixo do nosso nariz: um portão enorme com uma alavanca cheia de letras estranhas. Gritei o nome de todos e pedi pra virem onde eu estava.
— Ahaha, legal. Mais uma alavanca. Vai lá, puxa ela e acaba de matar a gente logo — disse Eric.
Eu estava com o pé atrás até de encostar, afinal, já tinha causado tudo aquilo. Até que Rox puxou a alavanca. Então tudo ficou distorcido, e quando percebi... estávamos no planetário novamente. Ele estava funcionando, e o tempo mal tinha passado desde que a gente tinha sumido.
— Voltamos...? — disse Rox, quase chorando. — Puta merda, a gente tá de volta... o-o-o que era aquele lugar??? Por que a alavanca... ela... — Marco se questionava.
A gente estava de fato de volta. Não entendi como, mas eu não queria voltar mais naquele museu. Todos concordaram em manter isso em segredo. Afinal, ninguém acreditaria na gente.
Trocamos contatos e voltamos pra casa num silêncio que deixaria qualquer um surdo. Essa noite eu não dormi. Passei a noite toda pensando nas estátuas.
Editado dia 21/07/2008 às 14:00, Postado dia 21/07/2008 às 01:22
NeonTFlame em 21/07/2008 às 12:05 >>841
nunca confie em alavancas. ou estatuas