por Sushi
esse capitulo contem conteúdo sensível envolvendo trauma psicológico e suicídio.
Lá estava eu no c- pera, no carro??? Meus pais estão falando sobre a minha escola... aquilo não foi um sonho. O que tá acontecendo? Por que eu voltei tudo? E por que eu tô com uma dor de cabeça? Eu estava agora pouco com o Marcos na delegacia, prestando depoimento por conta do caso da A-
...
Só de lembrar me deu vontade de vomitar...
Será que isso é obra daquela criatura? Ou o museu... ele... cara, eu preciso me reencontrar com meu grupo ou ir pro museu sozinh-
— Hm? Estamos parando? Eu perguntei. — Ugh, a gente vai se atrasar. Tem um acidente à frente.
Acidente?? Isso não tinha acontecido antes. Que linha do tempo é essa?? Eu não sou maluco de sonhar uma semana inteira com cada detalhe. Eu senti dor, eu senti cada coisa. Isso tá errado.
Então eu puxo meu celular e lá estava: o horário todo desconfigurado e a bateria drenando, que nem no museu. É como se...
eu nunca tivesse saído do museu com o Marcos??
De repente tudo ficou escuro. Eu olho pro céu e estava lá, o sorriso daquela criatura, estampado no céu escuro. E foi aí que lembrei, a primeira camada do inferno de Dante... LIMBO. Quer dizer que ou eu fui puxado pra cá, ou aquilo que aconteceu depois que eu e o Marcos entramos nunca aconteceu. Tudo congelou. Nem meus pais se moviam. Era só eu... e a criatura.
Eu saio do carro e tudo muda em um piscar de olhos.
Agora eu estou numa sala branca.
Eu dou um passo e, de repente, estou caindo em um buraco que parecia sem fundo. Então caio em um chão. Não senti nenhuma dor. Eu só caí.
Diante de mim estava a criatura.
Eu abro a boca pra falar algo e algo empala minha mão, prendendo ela no chão. Eu nunca senti tanta dor na minha vida como naquele momento. Eu gritei, berrei de dor... e ela estava lá, me encarando.
Do nada, novamente tudo muda.
Então eu vejo minha irmã enforcada na minha frente.
Na escola.
No mesmo lugar de sempre.
Mesma parede. Mesma luz estranha. Como se nada tivesse mudado.
Não era só ver.
Minha garganta travou.
Eu não conseguia respirar direito.
Era como se eu estivesse lá de novo. No mesmo lugar. Sem conseguir me mexer.
Eu tinha enterrado essa memória no fundo da minha consciência... porque lembrar dela...
era lembrar que eu tava lá naquele dia.
...
meu corpo não respondia.
Igual naquele dia.
Eu só fiquei parado.
Olhando.
Sem fazer nada.
Foi suicídio.
Eu sei que foi.
E mesmo assim...
isso não deixa mais fácil.
A dor voltou, mas não era na mão... era pior.
Muito pior.
Coçava, queimava, apertava o peito... não tinha como fugir daquilo.
Se isso continuar... vai piorar.
Eu sei como isso termina.
Então eu pulo pra cima da criatura, agarrando sua mandíbula por dentro da boca, puxando uma das espadas espetadas nela. Ela morde minha mão e doeu tanto mas eu já tinha me decidido.
Eu enfio a espada no olho dela.
Ela grita em um volume ensurdecedor.
O cenário troca.
Agora são meus pais brigando feio, e meu vô tentando parar a briga. Eu lembro desse dia como um quase divórcio... e lembro da minha mãe cortando meu pai com uma faca. Isso foi antes dela começar a fazer terapia. Ela vivia tendo esses surtos...
Que bom que eles se resolveram. Isso não me afeta mais... não como o caso da minha irmã...
Quando menos espero, sou empalado na perna. Então a criatura parte pra uma mordida nas minhas costas.
Eu seguro com toda força que posso sua boca e começo a tentar abrir mais ainda. Eu berrando de dor, mas com a adrenalina no máximo, consigo escutar um som, algo parecido com rachaduras de tanto forçar abrir.
Tudo à minha volta começa a trocar em um piscar de olho, mas eu mantenho firme. Eu não paro.
Então eu vejo... o núcleo dentro dela.
Eu uso minha perna direita pra apoiar na mandíbula e coloco minha mão lá dentro. Eu consigo pegar.
E então sinto um choque tão forte que não consigo soltar.
A criatura estava berrando.
Eu senti o choque entrando no meu corpo como se eu fosse uma espécie de Thor. Foi tão agoniante...
E então o núcleo se racha.
E quebra.
A criatura desaparece.
Eu tô de novo na sala branca.
As espadas caem... e só tem eu ali.
Então todas as espadas começam a flutuar.
Logo em seguida todas viram em minha direção e são todas disparadas
Em um piscar de olhos, quando senti tudo sendo perfurado na minha pele...
lá eu estou.
Na biblioteca.
E o Marcos deitado no chão, com o rosto cheio de choro e angústia.
Nada do que a gente viveu depois de ter entrado naquela biblioteca era real.
Nunca existiu Abel.
Eu nem tinha começado a estudar.
Eu fui na direção do Marcos pra ver se ele tá bem, mas eu estava mancando ainda. Não estava machucado... mas eu sentia tanta dor na minha perna que eu tropecei.
Eu abracei ele.
E ficamos lá, chorando juntos por um tempo.
Eu também percebi que o elevador estava aberto.
Depois de recuperarmos um pouco da nossa consciência, saímos... e descobrimos que vivemos a mesma coisa. Tudo.
E que a última memória antes de voltar o tempo... foi na delegacia.
Voltamos quietos pra casa.
E ele me ajudou... porque eu ainda estava mancando.
Editado dia 23/04/2009 às 22:04, Postado dia 23/04/2009 às 17:17
NeonTFlame em 23/04/2009 às 18:05 >>1195
Fucking assustador ok.