Fronteiras de Lovari Cacciatorie - Capitulo 4

por Sushi

Quarta-feira, 10 de março de 20xx

Terceiro dia na escola nova. Eu diria que tô me adaptando, mesmo depois de ter visto aquele bicho estranho e a estátua. Não tenho falado muito com os colegas, mas tem uma menina que sempre fala comigo. O nome dela é Abel. Ela é doce, e fico feliz de conversar com alguém além do meu grupo.

Falando nisso, me preocupo com o Marcos. Queria falar com ele sobre o museu, mas ele é tão reservado que fica difícil puxar conversa.

Era intervalo quando senti um toque no ombro. Era a Abel.

— Ei, Lovari, pergunta importanticicicisssima! — disse ela.

— Hm? Fala aí.

— Pirata, Samurai ou Cowboy?

— Que tipo de pergunta é essa, minha fia?

— RESPONDE!

— Ah… uhm… Cowboy! Eu gosto das histórias de velho oeste. Pera, não, PIRATA! Isso, pirata! Uhhhhh, mas uma katana também é uma ideia interessante, né?

Ela cruzou os braços e me olhou com aquela cara de “tá falando besteira, vamos parar?”.

— A resposta correta era Pirata.

— Tá bom, tá bom, você ganhou. Quer um refri? Por minha conta.

— VOCÊ AINDA PERGUNTA?!


Quinta-feira, 11 de março de 20xx

Tenho procurado sobre aquela criatura em vários livros, mas nada. Passei a madrugada inteira pesquisando, mas não encontro nenhuma pista. Será que tô ficando louco? Preciso falar com o Marcos, mas… uggghhh, que preguiça.

Na sala de aula, percebi que a Rox não veio. Olhei pro Marco e perguntei: — Rox vai faltar hoje, é?

— Cara, se não me engano, ela foi viajar pra um torneio de kendo. Deve voltar em duas semanas, no máximo — respondeu Marco. — Aliás, você tá saindo com uma garota já, é? Quatro dias na escola e já tá assim… garanhão!

— Hã? A Abel? Até que ela é bonitinha, mas não é nada disso. Aliás, queria falar com você sobre algo importante… sobre o museu.

O sorriso de Marco sumiu e virou uma expressão séria.

— Me encontra na saída depois da escola. E não quero que o Eric venha com a gente.

— Você que manda, chefe — respondi, e ele se ajeitou na cadeira.

No recreio, encontrei a Abel e chamei ela pra sentar lá fora. Ficamos conversando sobre a vida, como era antes de eu vir pra cá e como achei que seria aqui. Evitei falar do museu.

-Ai, a gente devia marcar de sair, vai lançar um filme que aparentemente é muito bom de magical play.

— Hm, claro, por que não.

— Faz tempo que não tinha alguém pra conversar que nem você. Infelizmente, sempre fui deixada de lado, sabe? E você… é incrível. Tipo, esse piercing entre o olho e o nariz é muito daora! Você devia usar uma pulseira de espinhos também, se vestir todo alternativo… ia ficar maneiro — disse Abel.

— Pior que já tive vontade de vestir alternativo, sabia?

A conversa continuou até o sinal bater.

Na última aula, que graças a Deus foi vaga, começou a chover. Forte, muito forte. Descendo as escadas, vi Abel correndo na chuva, sem guarda-chuva.

— EI, QUE QUE VOCÊ TÁ FAZENDO, SUA LOUCA?!

— EU ESCUTEI ALGO AQUI! É SÉRIO, VEM COMIGO!

Ela correu, escorregou e levantou mesmo encharcada. Não tive escolha a não ser ir atrás. A cada passo, parecia que a chuva abafava sons estranhos, quase como sussurros.

Marco me viu e gritou:

— Ei, Lovari, tá indo aonde, seu maluco?!

— ME DÁ UM SEGUNDO, MARCO, JÁ VOU!

A água desmanchava meu penteado, escorria nos olhos, eu até mesmo escorreguei. Eu gritava o nome da Abel. Quando virei atrás da escola…

Vi as 3 estatuas e a criatura do desenho que tinha feito rodeando 2 corpos pela metade. Eu travei. Minhas pernas tremeram. O cheiro de ferro do sangue no chão queimava meu nariz e comecei a passar mal. E então percebi… um dos corpos era da Abel.

Caí de joelhos. As estátuas e a criatura sumiram num piscar de olhos. eu ... eu não sabia o que fazer naquele momento, eu não senti nem vontade de vomitar, eu gritei, gritei alto, gritei de dor, gritei tanto que parecia que minha garganta ia rasgar e ia começar a tossir sangue, o vazio, a dor... Eu gritei. Arranhei minha pele do meu rosto a ponto de abrir feridas, queria morrer ali, eu tinha escutado a voz do Marco de longe e quando ele chegou ele instantaneamente vomitou ao ver a cena. Eu só chorava. Eu era só uma criança, o que eu vi aquele dia eu iria levar pro resto da minha vida.

Choveu por dois dias sem parar.

3 ou 0

Editado dia 21/08/2008 às 23:28, Postado dia 21/08/2008 às 23:22







  • NeonTFlame NeonTFlame em 21/08/2008 às 23:27 >>926

    MAGICAL PLAY MENCIONADO RAAAAAAAAAAAHHHH

    • NeonTFlame NeonTFlame em 21/08/2008 às 23:28 >>927

      >>926 caralho a estatua ta realmente ragebaiting o lovari ate matou a amiga dele

    • Sushi Sushi em 21/08/2008 às 23:28 >>928

      >>927 KKKKKKKKKKKKKKKKKK não esqueça que ela tem a cara de platão

    • NeonTFlame NeonTFlame em 21/08/2008 às 23:31 >>929

      >>928 "Não é permitido irritarmo-nos com o ragebait." - platao

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