por Sushi
Fiquei mofando no meu quarto o domingo inteiro, eu não estava me sentindo bem. Ugh... a ansiedade pelo primeiro dia de aula tava me corroendo, eu não conseguia me acalmar de jeito nenhum. Tanta coisa aconteceu em tão poucos dias que sinto como se já tivessem passado semanas. Quer dizer, ter ficado preso naquele museu realmente fez parecer que eu vivi mais tempo do que o normal... o que de fato aconteceu. Eu só espero que aquela droga de museu não atrapalhe minha vida daqui pra frente. Três anos nessa escola. Um novo capítulo na vida de Lovari. Na minha vida.
Depois de me arrumar e estar prestes a sair, vi Roxse, Marco e Eric me esperando.
— Ah, finalmente! Vamo logo, cabelo lambido — disse Eric. — Me avisem da próxima vez que vão me esperar — respondi.
No caminho até a escola, eles me explicaram como tudo funcionava. Descobri, no meio do trajeto, que a escola era... INTEGRAL.
NÃO! QUE SACO! EU NÃO QUERO PASSAR O DIA TODO NA ESCOLA! QUE MERDA! NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!
— POR QUE LOGO UMA ESCOLA INTEGRAL?! — falei com uma voz de choro. — Ué, achei que você já sabia — disse Roxse.
Infelizmente, eu estava fadado à tortura. Pelo menos parecia ser uma escola com bastante coisa pra fazer.
Chegando lá, fui direto à diretoria entregar uns documentos e descobrir minha turma. O professor conselheiro me recebeu e disse que eu era da 1-C. Tinha que entrar com ele na sala e... ugh... me apresentar. Difícil causar uma boa impressão quando se usa brincos, correntes e acessórios meio rebeldes. Pensei em tirar, mas honestamente? Eu não me importava o suficiente pra isso.
Quando entrei, a sala inteira ficou em silêncio, todo mundo me encarando. Cara, eu não tenho problema em falar com desconhecidos, mas quando sou o centro das atenções assim... eu só quero bater minha cabeça até desmaiar de vergonha.
— B-bom dia, me chamo Lovari Cacciatorie! Vim de outra cidade e planejo finalizar meu ensino médio aqui. Espero me dar bem com todos!
— Certo, turma. Por favor, sejam bons com o Lovari. Lovari, tem três lugares vagos, escolha o que achar melhor pra você.
Três assentos vagos. Um no meio e dois no fund... ROXSE?! E MARCO?! Eles eram da minha turma?! Oh, wow. Bem, um dos assentos no fundo ficava perto deles. Escolhi a penúltima fileira, perto da janela. Roxse e Marco estavam logo atrás.
— Que legal, a gente é da mesma turma, hihi — cochichou Rox. — Pois é! Só faltou o Eric — respondi. — Ah, o Eric é do segundo ano — completou Marco.
Oh, então Eric era o mais velho entre nós. Não esperava por essa.
— Aproveitando que temos um novo aluno, vamos discutir sobre nosso passeio escolar. Infelizmente, não consegui autorização para uma excursão de verdade por enquanto, então pensei em visitarmos o museu da cidade.
Eu travei. Comecei a suar frio. Só de ouvir essa frase meus pelos arrepiaram. Olhei pela janela pra tentar me acalmar e vi... uma estátua. Andando.
Cara... eu tô ficando louco?! Comecei a hiperventilar. Não era possível, não podia ser. Respira, Lovari. É só sua mente pregando peças. Concentra!
Passei o primeiro turno sem conseguir focar em nada. No almoço, usei uns trocados que tinha no bolso: comi a merenda de graça e ainda comprei um enroladinho de salsicha. Voltando pra sala, encontrei Eric.
— E aí, Lovari. Vi que você tá na sala com os outros, uma pena que eu não tô lá — disse ele, meio desanimado. — Pretende participar de algum clube? Se quiser, cola no de boxing. Te apresento como meu amigo. Tu tem cara de lutador porreta.
— Eu entendo a visão, mas vou recusar. Não sou muito fã de luta, tá ligado? Eu diria que sou mais arqueiro... ou pistoleiro — respondi.
— A gente tem um clube de Arqueria que manda bem nas competições. Dá uma olhada lá, uma hora ou outra, não fica só mofando na escola não — falou Eric.
— Vou dar uma olhada sim, valeu, Eric. Te vejo por aí.
Clube de arco, huh? Mas como eu disse, sempre fui mais fã de pistolas e armas de fogo no geral. Talvez eu ache algo parecido... mas boxing também não soa tão ruim. Vou pensar nisso depois.
Então, virei à direita no corredor. E lá estava. A mesma estátua. Do pé até a cabeça, rachada.
Eu não me contive. Cai pra trás, quase gritei. Sorte minha que não tinha ninguém passando. Mas cara... eu quase me mijei.
Por que diabos essa estátua estava aqui? Eu não estava alucinando. Não podia estar. De repente, uma dor no meu peito começou a me sufocar. Atrás da estátua... algo saiu. Medonho, grotesco. Como posso explicar? Melhor eu desenhar.
Eu não sabia o que era aquilo. Eu estava aterrorizado. A dor no meu peito piorou, minha visão turvou. Eu estava prestes a vomitar quando, em um piscar de olhos, a estátua — e aquela coisa — sumiram.
Eu não aguentei. Desmaiei.
Quando acordei, estava na enfermaria da escola, com uma puta dor de cabeça. Meu avô conversava com a enfermeira.
— Ugh... vô?
— Lovari! Ai meu Deus, que bom que você tá bem — disse ele, me abraçando.
— Se continuar me assustando desse jeito eu vou ter um infarto... pelo menos, se for aqui, eu posso ser tratado pela bonitona ali atrás. HA HA HA.
Não resisti e ri junto. Aparentemente, desmaiei de tanto hiperventilar. Fui liberado, já que as aulas da tarde tinham acabado. Dormi o turno inteiro.
Meu vô me levou pra casa de carro. No caminho, verifiquei meu celular: o grupo tinha mandado e-mails pedindo pra eu avisar quando melhorasse. Fiquei feliz de ver que eles se importavam tanto.
Mas... não consigo esquecer o que eu vi. Talvez fosse efeito da medicação, mas assim que cheguei em casa... apaguei. Nem jantei.
Editado dia 21/08/2008 às 12:43, Postado dia 21/08/2008 às 04:00